quarta-feira, 5 de maio de 2010

"Curto-circuito" o Vagalume

Há muito tempo atrás, quando se olhava para o céu à noite, para ver estrelas:
Existia uma comunidade de vaga lumes, que vagava
ao redor de um brejo, que hoje está quase seco ...
A comunidade vivia em plena harmonia e todos sempre alegres, menos "curto-circuito", que com um defeito de nascença, não conseguia acender, ficando constantemente apagado.
O pior de tudo, para seu desconforto, é que o confundia com mosquito, uma coisa que o diminuía ainda mais...
Mas o Rei, devido aquele ambiente propício, resolveu dar uma festa no Céu, festa esta que todos seriam convidados e a ordem principal era que não se economizassem em nada...

Chegado o esperado dia, todos se dirigiram ao local e o Rei todo exibido, não se continha dentro de si de alegria...
O curto- circuito ficava sempre num lugar protegido, com luz e' lógico, porque luz própria, necas de pitibiriba!
Não conseguia segurar uma lágrima, porque era o resultado da dor sentida... Mas, o que mais doía curto-circuito, era que não notavam sua presença, as vezes cara a cara!
Mas, lá pelas tantas, no auge da festa, sugeriram fazer um passeio pelos seus domínios, aonde poderiam voar juntos "em formação".
Com autorização do Rei, todos foram, mas todos mesmo! Menos curto-circuito, é lógico, também o que ele poderia acrescentar nesta bela noite sem lua a não ser mais escuridão...
E lá foram eles, dando vôos rasantes, uma vez aqui, outra vez ali...A gente olhava para o brejo e via aquele belo rastro luminoso.
Acontece que o velho sapo, também via aquelas evoluções, marcou o local que eles estavam dando rasantes, se posicionou e ficou a esperar o jantar que aquela noite lhe faltara...
Qual uma seta fulgurante, eles foram entrando um atrás do outro, na velocidade que vinham, na boca do sapo, que só teve o trabalho de abri-la bem, para que não escapasse ninguém. Realmente todos foram parar na barriga do velho sapo, que nem resolveu sair do local...

Lá em cima no céu, já se preocupava o Rei com a demora dos seus súditos... Depois de tanta preocupação, resolve pedir ao curto-circuito que fosse até o brejo, verificar o que acontecera...
Muito solícito, extremamente solícito, seguiu prontamente as ordens do Rei, se sentindo honrado com o pedido...
Primeiro curto- circuito se dirigiu às beiradas, depois no meio do brejo, nada vendo. Quase desistindo, viu um sapo diferente, pois sua barriga brilhava...
Chegou bem perto, sem ser visto, não tinha perigo e verificou que aquela barriga estava iluminada, talvez pela sua comunidade, que há pouco, virara a sua janta!
Teve uma idéia, genial, pois, diga- se de passagem, desenvolvera um raciocínio sempre espirituoso, não sei se devido ao seu defeito.
Pegou um graveto bem forte e ficou a espreita: Uma hora ele iria arrotar, abriria a boca... ai' eu meto este graveto nela, travo sua boca ...pensou...Não deu outra, ameaça... e dá um arroto, daqueles que a gente ouve da cama, nas noites quentes...
Curto-circuito, sem perder tempo, trava -lhe a boca com o graveto...e travado, pode curto- circuito andar até a garganta do sapo e gritar prá turma sair da barriga!
Imediatamente, o sapo começou praticamente a soltar fogo pela boca, tal era a velocidade que todos sairam, pois tiveram vida salva, por "um milagre". A saida foi tão tumultuada que curto -circuito fora jogado bem longe e todos só queriam se safar, voar pra cima, voltando ao encontro do Rei...O Rei ficou muito alegre de vê -los e foi contada toda história para ele.
O Rei preparou então, uma recepção para curto -circuito, que muito tímido, atordoado mesmo, demorara a voltar. Quando chegou, curto- circuito foi recebido com todas honrarias, pois salvara a comunidade ...e de que valeria um rei sem suditos?
Curto -circuito teve o reconhecimento merecido e até hoje os que não sabiam da história, comentam que um sapo soltava fogo pela boca e que um vagalume que não piscava, salvou um reino.


Sobre a obra
Conto escrito em 2006...

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