quinta-feira, 6 de maio de 2010

Zorba! O Grego...

Quando saimos do Cine Tupy
Depois de assistir "Zorba, o Grego"-
Era tarde noite e fomos pela rua dos Carijós
Com os dedos pra cima imitando o ator...

O clima era de festa,
Tínhamos passado no Banco do Brasil
Paramos na "Cantina do Ângelo"
Macarrão na mesa e vinho tinto

Música do filme, não saía da cabeça
Combinamos sair sem pagar
Cada hora um saía, no sorteio
O Aldo ficou por último

Lá de fora a gente via, na sacada da cantina
O Aldo pular para marquise
Dependurado na marquise tentava saltar no passeio
Os garçons sairam, nós vimos

Sendo carregado para dentro
Ainda abanava as mãos
Como se tivesse comemorado um gol
Lá dentro, pagou tudo

Ainda deu gorgeta ...
E disse para o dono:
Isto aqui é pro garçom
Pelo seu senso de observação...

A Cantina do Ângelo...

Tinha recebido meu primeiro sala'rio
Funciona'rio que era, do Banco da Lavoura
Dinheiro no bolso,
Rumei pra' Cantina do Ângelo

La', pedi' espaquete e um vinho "Barbera"
Vinho famoso na 'epoca, "Tinto suave"
Me atendeu, um garçon atencioso, o Giovanni...
Era doutori pr'a ca', doutori pr'a la' !

Comi a beça!
Pedi' a conta, dei vinte cruzeiros de gorjeta
O Giovanni, agradeceu demais, pois não sabia
Que o dinheiro sobrava do meu primeiro sal'ario.

Tempos depois, vi' na avenida um letreiro:
Cantina do Giovanni
Fui conferir: Era o pr'oprio.
Montara uma cantina, ainda trouxe seu irm'ao da Ita'lia...

Com dinheiro que juntara das gorjetas

Cauby Peixoto...

Quando Cauby vinha a Belo Horizonte
Geralmente, depois de sua apresentação
A turma o pegava, ia com ele para serenatas
Piano na carroceria de uma camionete

Rodava o bairro todo,
Nas madrugadas frias
Esquentada pelas bebidas
Cantava com acompanhamento.

"Conceição, eu me lembro muito bem..."
Estarei sonhando?
Pensava a musa
Cantava alto, pra' todos ouvirem

Muitos não acreditavam
Cauby, sucesso da época
Cantando, cantando!
E um piano acompanhando !

Um dia em Harvard...

Minha filha me convidou para passar o dia em Harvard
Fui de manhãn'zinha, tinha parado de chover
Alia's, como chovia !
Entrei, subi' para o quarto andar

O laborato'rio tinha va'rias divisões
Cada um com a sua, material particular
Coisa bem equipada
Tinha pesquisador do mundo todo

Indiano, canadense, ingles e americano
A brasileira era minha filha
Fazia tres anos que estava la'
Eu passei o dia inteiro na Universidade

Conheci a sua coordenadora
Conheci o faxineiro, portugues de Açores
Convidou- me para visita- lo
Harvard e' um lugar como outro qualquer

So', que de gente simples...

Zé da Cobra...

Estava na varanda, deitado na rede
Quando chegou o Alcides
Carregando seu filho
-Vitinho, leva o Zé pra cidade, a cascavel pegou ele!

Com torniquete já amarrado na perna
A cobra tinha ofendido no calcanhar!
Era uma cascavel de "papo amarelo" velha
-Leva ele correndo, dizia o pai assustado...

Coloquei os dois no carro...
Saí correndo com meu fusca comprado ha´ pouco!
As curvas eu acelerava, nas retas nem se fala
Pelo retrovisor via os dois branquearem

Medo do veneno fazer efeito, pensei!
Chegamos em pouco tempo
Caminho que fazia em 40 minutos, fiz em 20
Fomos no Milton Simas, farmacêutico que tinha soro

Medicado a tempo foi salvo o Zé...
Ganhando o apelido de " Zé da cobra"
O Alcides seu pai não quis voltar de carro
Despediu- se ficando mui agradecido

Dizendo que ir a pé era mais garantido!


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Autoria Autor:victorvapf
Ficha técnica Fazenda Soledade: A cascavel o mordeu no calcanhar, mas com o torniquete feito e na velocidade do atendimento, sua vista nem chegou a escurecer, o veneno foi neutralizado com dez aplicações de soro na barriga, feitos pelo farmacêutico do lugar, que era especialista neste tipo de atendimento. Sul de Minas, MG.

O Ágio...

Comprei um sítio em Lavras
Era do Luiz T Silva
Pagava todo mês, prestações
De um total de 500.000 cruzeiros

Tinha café, duas casinhas, pasto pequeno
Uma aguada boa e pés de jabubicabas
Estava namorando na cidade vizinha
Todas sextas feiras ia de carona...

Entrei num consórcio de carros
O primeiro do gênero!
No sorteio, ganhou o Helio Gil
Corri atrás dele, ofereci um ágio

Um milhão e seiscentos mil...
O valor exato da venda do sítio!
Não ia mais de carona ver meu amor
Podia até dar umas " incertas" no meio da semana

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Autoria Autor:victorvapf
Ficha técnica Primeiro consórcio de automóveis, idealizado pela AABB Belo Horizonte, Minas, Bairro da Pampulha. O sorteio era realizado na Sede da Agremiação. Ofereci um valor para que me entregasse o carro, sem querer, estava criado este sistema de ágio que se espalhou por todo o Brasil. Corria o ano de l965

Vito "Paca"...

Caçador inveterado
Tinha vinte cães farejadores
Perdigueiros "Americanos"
Todos os sábados, colocava a matilha no "trio"

Sexta Feira chegou chuvosa
Chuva miuda, que ele gostava
Pois, na manhãnzinha de sábado, era só seguir o rastro da caça
Dizem que até cheirava o chão, endireitando os cachorros

Mas eis que um mensageiro, traz pra ele a notícia:
Sua sogra desenganada, doente, não passaria daquela noite!
Falando baixinho, pra não acordar sua esposa:
Despediu -se do cavaleiro, sem convida-lo pra entrar....

A caçada não posso perder, ainda mais com esta chuvinha
Pensamento bem forte tapando a razão
Resolvera ficar calado, e na manhã, antes do sol nascer:
Saiu como de costume, sem acordar a esposa querida

Coitado do Vito! Todo mundo no velório e ele caçando !
Não soube de nada, saiu de manhã...
Tomara que não se assuste muito, quando ele chegar
Comentava a esposa, com o pessoal do lugar...



Sobre a obra
"Vito Paca" é seu apelido. Esta vivo e reside perto de Nazareth de Minas. Era viciado na caça de veados. Nunca matou um, só pelo prazer de encontra lo. Mas a caça fora proibida, mesmo assim saia com os cachorros e sua buzina. Sua sogra estava muito doente e desenganada, apesar da notícia, ele foi caçar, porque como ele mesmo dizia: Sair de manhã, depois de uma chuvinha era o que mais esperava. Ele chegava a cheirar mesmo o chão... Sul de Minas.

A "Inocência"...

Na chegada da fazenda de minha sogra,
Tinha uma beirada de terreno, uma beleza!
Fiquei doido pra compra'-la:
Pertencia ao Tino, que morava em Varginha

Perguntei ao seu vizinho, o Dico Meneses
Amigo ! O Tino vende este terreno?
Vende, respondeu solicito o Dico
Eu queria topar com ele, como encontra'-lo?

Se quizer, posso leva-lo ate' ele...
Fomos no meu carro, conversando, passando por Coqueiral...
Disse- me que o Tino era gente boa, plantava de meia com ele
E que estava doidinho para vender as terras!

Chegando no bar, aonde reunia os fazendeiros
Encontrei o Navantino, fui logo falando do nego'cio
Pelo espelho, enquanto conversava, vi o Dico sinalizar...
Fazia "não" com o dedo, piscando va'rias vezes

A fisionomia do vendedor mudou, desanimando o nego'cio!
Tinha trazido o Dico a passeio:
Aproveitara a viagem, pra colocar as conversas em dia com seu meieiro
Nunca, "nunquinha", teria chances de comprar aquele terreno!!!



Sobre a obra
O terreno que queria comprar era uma beleza, ficava no pe' de uma bela montanha. Inocentemente perguntei ao vizinho que era meieiro do dono das terras. Nunca pensei que seria usado para levar o informante para colocar seus interesses em dia com o "vendedor". Varginha , Minas Gerais.

A Peroba...

Dona Sianinha, avó da minha esposa
Me deu uma madeira, peroba rosa
Da mata da Thereza
Tinha caído, fazia uns vinte anos, numa tempestade!

Fui a cavalo ate' a serraria do João da Hermínia
Depois de subir o morro, passar por quatro porteiras, cheguei!
Lá bem no alto da serra, fui por ele recebido
Sorriso nos olhos, caboclo humilde, convidou-me pra entrar

Casa grande, antiga, assoalho taboado, bem lavado
Sua irmã serviu café, num bule de lata comprido
Pedi ajuda, pra achar a peroba que tinha caido na mata
Ele me disse que sabia desta historia, e podia ajudar

No outro dia, nos encontramos na mata
Olhando pra cima, o João viu uma falha nas copadas
É' aqui' Vitinho, achei! Exclamou apalpando a tora caida
Limpou em volta com foice, eu vi a tora!

Media mais de vinte metros, de uma grossura so'
Tinha um metro de quina
Fez um estaleiro no local, desdobrou a madeira
Vários dias eu via ele com o traçador e ajudante serrar...

O tio de minha esposa denunciou...
João da Herminia ficou sabendo
Varreu toda a serragem de sua oficina
Ficou uns tempos sem trabalhar

Ia construir uma casinha com aquela madeira
Não sei porque nada construi, vendi a madeira!
Com o dinheiro, paguei o conserto de meu carro
Que tinha fundido o motor!




Sobre a obra
A Mata da Thereza está até hoje intacta. A tora que foi tirada foi dada pela mãe da Thereza que era inválida. Eu ia construir uma casinha na fazenda de minha sogra, mas desisti porque fiquei aborrecido pela transtorno causado ao João da Hermi'nia, por isso resolvi' vender a madeira...a t'ecnica de achar no meio do mato a tora, era olhar pras copadas, quando via uma clareira, era sinal que tinha cai'do alguma coisa ali', mesmo apesar de tanto tempo...o sinal sempre fica!

Milton Soares Campos...

Por indicação de meu pai fui procurar o Ex-Governador
Minha Gulivette, parada na porta de sua casa
Com o barulho, deve ter anunciado minha chegada
Bati 'a porta, pedindo para falar com ele

Fui levado ao seu escrit'orio e biblioteca...
Imensa, com livros ate' o teto
Figura carisma'tica, me atendeu mui educadamente
Disse lhe que gostaria de trabalhar no Banco da Lavoura

Mas tinha que ser indicado por algue'm, na ficha de apresentação
Depois de verificar os dados seria chamado pra fazer provas!
AH! Filho do "Pintinho", pode por meu nome ai!
Agradeci ao Doutor Milton Campos pela atenção

Pouco tempo depois, fui chamado pra fazer as provas...
Nulo em contabilidade, "Me'todo Hamburgues"
Fiz as provas mais ou menos...
Não esperava ser chamado, mas fui !

Meu pai sempre dizia que a UDN, não ajudava ningue'm do partido!
Questão de e'tica, cargos no Governo, nunca!
Mas eu consegui', a autorização pra usar o nome dele!
Iria trabalhar, não no Governo, mas num Banco particular

A e'tica partida'ria estava salva...

Sobre a obra
O Doutor Milton Soares Campos tinha sido Governador e mantinha seu presti'gio. Morava perto da Praça da Liberdade. Meu pai tinha sido um dos udenistas de primeira linha e seu amigo. Mas nunca tinha pedido um emprego no Governo. A e'tica naquela e'poca era levada a se'rio. A indicação na folha de apresentação solicitando participar de concurso, deve ter me ajudado, mas nunca fiquei sabendo...Certeza eu tinha, que era pe'ssimo em contabilidade, por este tal de "Me'todo Hamburgues"...

Olimpíada Colegial...

Depois daquele problema com a prova de biologia, eu pretendia a todo custo me redimir, porque meu conceito estava abaixo da crítica, se posso assim afirmar...

Então procurei o Frei Júlio para fazer um apelo, pois tinha no Frei uma pessoa de personalidade forte e pela sua influência junto a todos, o via muitas vezes orientando, sempre falando com desenvoltura, dentro daquela instituição.
Só para se ter uma idéia das posições que ele tomava, conto entre parênteses, um caso acontecido na hora do recreio:

Uma discussão na quadra de futebol de salão, entre o Fred e o Judeu, foi esquentando, nós viamos lá de cima, nos corredores que davam acesso 'as salas de aulas! Os dois se pegarem! Fui separar a briga, mas o Frei impediu-me dizendo: Deixem brigar, até cansar, complementou! Ainda tinha levado um puxão nos cabelos, quando tentava em vão impedi-los! Dois brutamontes brigando, quem separaria?

Mas, como afirmava, o Frei Júlio impediu e deixou a briga correr, começo de recreio, ela demoraria no mínimo 15 longos minutos. Desimpedidos para brigar, se engalfinharam dando pontapés e braçadas, até que se cansaram, não parando a briga, continuando um ofendendo ao outro e cuspindo até esgotar a saliva...Por fim, desistiram saindo com dedo em riste, agredindo verbalmente, foram os dois para sala, com as orelhas vermelhas e suados.

O Frei Júlio não moveu palha siquer e nem chamou atenção dos dois...
Depois do ocorrido, não vi mais brigas no recinto...o "ringue" liberado, ninguém se habilitou mais!
No meu caso, em que afirmo que meu conceito estava abaixo da crítica, foi o fato de uma prova que fiz, de biologia, chance dada pelo professor, uma vez que faltara a aula que teve a prova, por motivo de doença.

Como não tinha me preparado, pedi ao meu colega de trás de mim, que fizesse a prova, depois ao final da aula, me passaria impecavelmente correta...Foi uma péssima idéia, porque na sa'ida da sala de aulas, o professor trancou a porta, me deixando super desconfiado, pois não era seu costume agir daquela maneira, ainda mais, com a "prova" do crime escondida na minha carteira:

A prova toda ilógica, com respostas inconsequentes em que eu descrevia uma luta de box, que tinha havido entre o Eder Jofre e um "chiado" qualquer, enfim, um besteirol completo...pois a prova correta tinha recebido de meu colega Paulinho Dani..

Minha desconfiança fez sentido, quando volta o professor acompanhado do Diretor, adentrando a sala de aulas, não deixando o professor Chiquinho, de dar aquela olhadinha para trás, prevendo que estava sendo assistido no seu ato.

Dito e feito: Durante a aula seguinte, de química, entra um mensageiro do Reitor, pedindo a minha presença na sua sala.
A primeira coisa que vi ao chegar a Reitoria, foi o Frei, com duas provas na mão: Perguntando sem esperar que eu me assentasse:
Esta prova e' sua? Perguntou com ar de severidade:
E' respondi...
E esta outra? Mostrando a prova feita pelo meu colega, impecável, sem nenhum erro:
É minha...
Como? As duas provas são suas? Pelo que me conste, esta foi o Paulo Dani quem fez, como ela pode ser sua? Responda?

É minha sim! Eu ganhei! Ele me deu!

O Frade não conseguiu segurar o riso, mandando-me voltar pra sala, dizendo antes, que estava suspenso por dois dias...

Como expus no começo da história, estava com o conceito meio abalado e procurei o Frei Júlio, para convencê-lo participar das Olimpíadas Colegiais e que o Colégio não podia ficar de fora etc e tal...
O fato é que, relutante, aceitou participar de Futebol de Salão e Futebol de Campo, e para minha surpresa, estaria encarregado da organização dos times, bem como, ser o técnico das equipes e ja' poderia ir tomando as providências...

Quase caí pra trás, o Frei realmente tomava as medidas mais inusitadas, dar esta responsabilidade para um "ex-irresponsável", porque, a partir daquele momento, seria responsável por dois times do Santo Antonio, na Olimpíada Colegial...

No outro dia, fui bem arrumado, banho tomado, dentes bem escovados e cabelo bem penteado, falando compenetrado, parecendo aluno comportado!.

Sobre a obra
Colégio Santo Antônio, ano de 1958, Belo Horizonte, Minas Gerais. As Olimpíadas Colegiais tiveram a nossa participação, sendo um dos feitos muito comentados, o empate de 3 a 3 com o Colégio Santo Agostinho, no seu campo, pois ganhavam todas nos seus domínios.Me lembro do Noêmio, jogador, depois profissional do Clube Atlético Mineiro, tive a honra de comandá-lo...Ele se tornou um dos maiores goleadores do Clube Atlêtico Mineiro, que este ano faz o seu Centena'rio...

O " Seu Carioca"

Perto de minha casa, mora o Seu Carioca
Ele faz raias pras piscinas dos clubes
Vai la' em baixo, no bambuzal
Corta muitos bambus...

Daqui eu vejo os bambus
Amontoados na frente de sua casa
Ele corta os gomos
Lixa um por um...

Emenda, fazendo uma fileira
Enfiando no meio, uma cordinha
Pinta de azul, gomo por gomo
Ate' secarem enfileirados, nos varais

Foi olhando que fiquei sabendo
Que as raias das piscinas
Eram feitas de gomos de bambus
E o Seu Carioca e' quem fazia.



Sobre a obra
Seu Carioca, como era conhecido no Bairro Santa Thereza, fazia raias pras piscinas de Belo Horizonte, de bambu. Eu observava da janela de casa sua movimentação, ate deixar as raias dependuradas, secando a pintura, como um varal de roupas.Que eu saiba eram feitas de gomos de bambu, pelo menos por estas bandas... Bairro de Santa Thereza, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

O Camelô...

O Camelô

O Mercado Municipal era perto de casa
Da Av Olegário Maciel, aonde morava, era um pulo.
Volta e meia estava lá com meu irmão
Para ver os camelôs fazerem mágicas !

Tinha a "Dona Catarina" uma cobra imensa...
Nem com as varadas dadas na sua caixa, ela mexia
"Dona Catarina" vai dar um pulo e comer uma dúzia de ovos!
Gritava, o Camelô, chamando cada vez mais atenção

Todos se amontoavam em torno dele...
Eu via agachado, la' na frente, a cobra dormir...
Mas ela acorda e pula na mesinha dele, pensava...
Ele abre outra caixa, mostra pra multidão:

Um produto embrulhado num papel celofane amarelo, bonito!
Passa "Pasta Amazonense" ! Cura calos, cravos espinhas!
Ainda tem um brinde dentro, pode ser relo'gio! Dizia...
Puxa! Um relo'gio, pena não ter dinheiro!

Todo mundo comprava,
-Olha so', o amigo aqui ganhou um relogio!!!
Ai aumentou o interesse...
As mãos dele estavam cheias de notas...

Eu, olhava a "Dona Catarina" dormindo,

Não acordava pra nada...



Sobre a obra
Alí, no Centro de Belo Horizonte, no Mercado Municipal, se reuniam os Camelôs para venderem seus produtos(o quadrado a esquerda na foto)...Alguns usavam de mágicas vendendo loções de procedência duvidosa...Todos compravam, ficavam encantados com os possiveis brindes. Os que ganhavam relógios eram os que ja' estavam combinados com o Camelô, mas ninguém desconfiava. A Dona Catarina, famosa cobra, nunca saia da caixa, mas ele insistia dizer que chuparia uma dúzia de ovos, falava enfaticamente batendo na caixa, com uma varinha. Eu não tirava os olhos dela...Década de 50.

Zug Pitz Artistes...

Zug Pitz Artistes

A Praça Raul Soares estava lotada
Os equilibristas alemães esticaram um cabo de aço
Ia de um prédio a outro, atravessando a Praça toda
A gente ficava olhando para cima

Acompanhava minha bonita prima Therezinha
A motocicleta passava pelo fio de aço
Equilibrando, o artista se mantinha com a vara
Uns andavam, clareados pelos holofotes

Minha prima reclamava!
Não entendia, estava tão bom o espetáculo
Cheio de gente, todos se apertavam, ela achava ruim...
Saiu me puxando, xingando!!!

Olha, eles com bandeiras coloridas na mão!
Veja, Therezinha! Estão "plantando bananeira" la' em cima...
Não quis saber de nada...
Foi me puxando, puxando e xingando...


Sobre a obra
Zug Pitz Artiste, equilibristas alemães, estiveram em Belo Horizonte, na Praça Raul Soares.Praça lotada, um encosta, encosta danado, todos queriam ver. Esticaram um cabo de aço de um prédio a outro. Década de 50. Depois voltaram fazendo a mesma coisa, desta vez no centro da cidade... Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

A foto mostra a loucura de uma época. Eles desafiavam o perigo equilibrando,(isto deve ter sido na década de 30) e virou mania no mundo, aí surgiram. creio eu, os artistas alemães ...

O Segundo Milagrre

O Segundo Milagre

Meu avô era Juiz, morava em Diamantina
O pai dele, chefe político. Em política com o filho não combinava.
Arranjou uma nomeação para ele...
Foi pra Bocaiuva, norte de Minas

Minha avó se chamava Eufrosina, por ele chamada de Flôr
Um dia ele chegou nervoso em casa
-Flôr voce estava na janela a tarde toda!
Naquela época mulher não podia ficar muito tempo na janela

Não estava, Sales! Retrucou minha avó para o marido desconfiado...
A discussão ficou acalorada:- "Não acredito em voce!
-Pois é,passei a tarde toda lendo um livro, uma coisa parecida,,,
Um milagre aconteceu, para fazer valer a palavra!

-Pois então Flôr, eu só acredito em voce se acontecer algo!
Acabando de falar, as cortinas da sala começaram pegar fogo!
-Veja Sales! As cortinas pegando fogo, a casa vai queimar!!!
Gritou minha avó muito assustada...

Meu avô, tentando apagar o fogo, gritava:
-Eu acredito em você Flôr!!!
-Eu acredito em você!..


Sobre a obra
Meu bisavô, morava em Diamantina, era Chefe Político. Meu Avô, seu filho, não combinava com o pai, pois pertencia a partido opositor ao dele. Criava muitos problemas na região. Meu bisavô arrumou uma nomeação para ele em Bocaiuva, resolvendo dois problemas num só ato. Meu avô então assumiu o posto de juiz em Bocaiuva, Norte de Minas. Pra lá foi com a familia...

Eu, ela e a Argentina...

Eu chegava na casa dela as nove horas
Da manhã, ora pois, pois...
Começava a namorar na saleta de televisão
Da poltrona eu via meu cunhado vigiar

Como eu chegava cedo, eles faziam rodízio
Ora minha cunhada, e os seus três irmãos
Ficava vendo televisão
Júlio Rosemberg e a " jovem guarda "

Cantava o Ronnie Von, com os cabelos soltos
De repente! A tela da tv dá interferência...
Aparece uma imagem de outra tv:
-"TV ROSARIO CENTRAL, Argentina."..

Durou uns trinta minutos a transmissão...
Continuei namorar assistindo o programa..,
Dalí eu via, ora um cunhado, ora outro.
A interferência alí, vinha da cozinha!!!


Sobre a obra
Eu trabalhava em Lavras, ia de carona pra cidade visinha aonde namorava. Chegava cedinho na casa dela. Os quatro irmãos dela faziam a "vigia" na sala: Ora um ora outro, minha sogra é quem controlava tudo. Mas as vezes dormiam...Sul de Minas, Brasil.

A Cobaia de Harvard...

Depois que perdi aquela promoção da American Airlines,
Por receio de voar, pois pouco tempo fazia do atentado do WTC...
De ir a Londres, pacote de dois dias, sábado e domingo
Hotel incluido, pela bagatela de 189 dolares

Resolvi pesquisar com minha filha, se havia na Universidade...
Alguma coisa que poderia fazer para passar o tempo
E quem sabe, ganhar alguns dólares...
- Olha! Tem uns experimentos que usam voluntários...me disse

De todos os que ela me falou, o melhorzinho era este:
Ficar num quarto escuro, sozinho o dia todo com eletrodos na cabeça
Estudavam as reações do indivíduo durante uma semana
Pagavam 500 dolares...

No apartamento de minha filha, tinha vinho, cerveja e tira gosto
Realmente não fazia nada o dia inteiro...
Liguei a televisão, mudei de canal até achar uma tv espanhola
Virei pro lado, deu sono, dormi...sem eletrodos na cabeça!


Sobre a obra
Eu passei uns 30 dias em Boston para visitar minha filha que fazia Pos-Doc de imunologia em Harvard e ficava no seu apartamento, sem fazer nada. Bolava muitas idèias, andava de metrô, mas fui enjoando, queria algo mais...então me ocorreu pergunta-la se havia alguma coisa para fazer naquela Universidade. Ela me disse que tinha experimentos com volunta'rios e pagavam por semana. Quase embarquei num deles so' pra ver o que dava...Minha filha morava do outro lado em frente ao seu trabalho, era so' atravessar a linha do Metrô. Boston MA. USA.

Os Silvos...

Quando trabalhava na Cacex
Antiga Carteira de Comécio Exterior
Me detive a pensar sobre uma importação
Mil Silvos para pássaros espantar

Eles levavam uma pilha só comum
Emitiam uma onda sonora
Imperceptível aos ouvidos humanos
Mas feriam demais os dos pássaros

A construtora que importava da França
Alegava que em suas fazendas
As plantações de arroz eram as toneladas
Pelos pássaros consumidas

Mais que depressa, enquadrei a importação
Dentro das normas regulamentares
Passei-as imediatamente para emissão
Numa época em que sobrava

O arroz nosso de cada dia...


Sobre a obra
Uma grande Contrutora fez uma importação de Silvos (apitos) para espantar pássaros. Alegava que em suas fazendas, a plantação de arroz estava sendo atacada por milhares de pássaros. O aparelho era bem simples e equipados com uma pilha comum, emitia um sinal sonoro, imperceptível aos ouvidos humanos mas ferinos aos dos pássaros, mantendo-os afastados da lavoura. Cada aparelhinho cobria uma grande área da plantação. A importação foi a primeira feita no Brasil, depois disto nunca mais tive notícias do resultado da operação. Fica aqui o registro, nesta época em que se discute a falta de alimentos... Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

O "Geraldo ticundo"...

Eu era viciado em "gol a gol"
Jogava sempre com o Wagner, vizinho de casa
No campinho da esquina
Os gols eram marcados com duas pedras

Eu chutava, o Wagner defendia
Ele chutava, eu defendia
Era jôgo duro, a bola não entrava
A gente sempre "irradiava o jôgo"

"Defendeu Aldo..." eu gritava!
"Defendeu Geraldo Ticundo" o Wagner gritava!
Não entendia que goleiro era aquele
Que time jogava o Geraldo Ticundo, pensava?

Custei descobrir:
O Wagner tinha a língua presa
O goleiro que ele falava era o do Cruzeiro
O famoso Geraldo Segundo...

Sobre a obra
Nós gostávamos de jogar "gol a gol". A bola era feita de meia. Cheia de panos bem socados no final davamos um nó com um barbante reforçado e apertavamos chamando este nó de "cu de pinto"...Quem é desta época, confirma. O Wagner tinha a língua presa, e falava engraçado, custando ser entendido. Queria dizer Geraldo II (segundo)grande goleiro do Cruzeiro, e saía, Geraldo" Ticundo".Que me desculpem os de língua presa, mas eu não poderia deixar de registrar este caso.O Aldo era goleiro do Ame'rica, de'cada de 50.
Rua Esmeraldas com Rio Claro, Bairro do Prado, BH, Minas Gerais, Brasil.

As eleições...

Muitas cédulas eu tinha
Colecionava as que achava
Era de deputado, senador e presidente
Fazia bloquinhos com elas

Auto falantes nos carros anunciavam
Dutra, Brigadeiro, Fiuza...
O movimento era grande
Agitação no ar

Tinha modinhas com os candidatos
Não me lembro delas
Porque somente uma guardei
A gente imitava o barulho da locomotiva:

Lá vem o trem de ferro
"Dutra...Dutra...Dutra!!!"
"Brigadeiro...Brigadeiro...Brigadeiro!!!"
"Fiuuuuuzzzzzaaaaa...Fiuuuuuuzzzzzaaaaa!!!!

Sobre a obra
As primeiras eleições depois da ditadura Vargas. O Marechal Eurico Gaspar Dutra, que vinha de uma campanha dita gloriosa na segunda guerra mundial, ganhou a eleição . O candidato opositor era o Brigadeiro Eduardo Gomes, das elites. Atribui- se a ele, ter dito que os trabalhadores eram "marmiteiros" o que fez com que sua candidatura perdesse muitos votos na última hora, perdendo portanto a eleição. Bairro de Santa Thereza, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.