domingo, 17 de setembro de 2017

O aniversário...

Luiz Gonzaga

Era aniversário dele
Meu pai comprou o presente
Me entregou avisando;
Olha, vai na casa dele

Aperta a campainha
Entregue o presente pra D Maita
Mãe dele, mas não entra
Porque ele esta com catapora

Catapora pega, mas não deixa ela desconfiar...

Dona Maita, aqui está o presente
Entrega pro Luiz Gonzaga
Não vou entrar não...]
Mas não é pra senhora pensar

Que eu não entro
Por causa de alguma coisa....

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O anel

Era época de festas juninas
O quintal cheio de gente
Mesas lotadas, muitas bandeiras
Copo de cerveja cheio, alí...

Bebi de um gole só!
Daí a pouco faz efeito!
Rosto fica vermelho
Eu eufôrico, não sabia o porque

Convido uma, para dançar
Parece pluma, nome: Lídice!
Com duas voltas, quase enlouqueço
Rosto colado, festa acabando...

Ela vai embora, deixando comigo seu anel
Anel de brilhantes, para devolver...
Escrevo no vidro embaçado do carro:
Eu te amo, fazendo um coração!

Só tem o meu nome e
O local marcado para encontrar.
Vai embora, olhando para traz...
Eu fico sòzinho, mais um céu estrelado,

Daquela noite fria de junho...






Sobre a obra
O nome dela era Lídice, linda que era, dançarina de balé, leve como uma pluma...dancei, sentindo que estava nas nuvens .
A cerveja que tomei, devia estar "benta" porque nunca me sentí tão eufôrico e animado. Fiquei com seu anel de brilhantes e o devolvi, no primeiro encontro...

domingo, 3 de maio de 2015

A Cobaia de Harvard...

Depois que perdi aquela promoção da American Airlines,
Por receio de voar, pois pouco tempo fazia do atentado do WTC...
De ir a Londres, pacote de dois dias, sábado e domingo
Hotel incluido, pela bagatela de 189 dolares

Resolvi pesquisar com minha filha, se havia na Universidade...
Alguma coisa que poderia fazer para passar o tempo
E quem sabe, ganhar alguns dólares...
- Olha! Tem uns experimentos que usam voluntários...me disse

De todos os que ela me falou, o melhorzinho era este:
Ficar num quarto escuro, sozinho o dia todo com eletrodos na cabeça
Estudavam as reações do indivíduo durante uma semana
Pagavam 500 dolares...

No apartamento de minha filha, tinha vinho, cerveja e tira gosto
Realmente não fazia nada o dia inteiro...
Liguei a televisão, mudei de canal até achar uma tv espanhola
Virei pro lado, deu sono, dormi...sem eletrodos na cabeça!


Sobre a obra
Eu passei uns 30 dias em Boston para visitar minha filha que fazia Pos-Doc de imunologia em Harvard e ficava no seu apartamento, sem fazer nada. Bolava muitas idèias, andava de metrô, mas fui enjoando, queria algo mais...então me ocorreu pergunta-la se havia alguma coisa para fazer naquela Universidade. Ela me disse que tinha experimentos com volunta'rios e pagavam por semana. Quase embarquei num deles so' pra ver o que dava...Minha filha morava do outro lado em frente ao seu trabalho, era so' atravessar a linha do Metrô. Boston MA. USA.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Minas Gerais não tem mar...

Minas Gerais não tem mar...

Vou fazer uma campanha
Pra que Minas, tenha mar
Vocês vão achar que é manhã
Mas depois vão me apoiar

Vejam só que injustiça
Da nossa Federação
Todos da beirada, tem mar
Só Minas, que não tem não

A gente vê no mapa
Que ate' a Bahia impede
Minas ter uma saída
Pois nem corredor ela cede

O Espírito Santo podia
Um pedaço a Minas ceder
Mas você toca no assunto
Vê a coisa endurecer

Então viro para o Rio,
Que completa este cerco
Peço então uma fatia
Mas não ouvem e eu me perco

Apesar da oposição
Continuo a minha luta
Pois o mar... Ele é de todos
Mas o que eu quero...

Só se for na fôrça bruta!










Sobre a obra
Eu só queria saber, quem foi que teve a idéia, de fazer a divisão dos estados da Federação!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A última carta...

A última carta...

Estive pensando
Naquela carta que escrevi
Foi há muito tempo
Nem sei se ela recebeu

Na época tinha mudado de cidade
Trabalhava em outro lugar
Por isso não recebi resposta
Hoje seria até estranho eu escrever uma carta

Ninguém escreve mais cartas
Somente se recebe propaganda e contas
Numa greve dos Correios
Os Bancos são os mais prejudicados...

O amor não sente a paralisação...

O romantismo não transita mais pelos Correios...



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Séculos XIX, XX e século XXI...

Séculos XIX, XX e século XXI...

Quando era pequeno...
Meu pai, meu avô e minha avó
Falavam do século dezenove...
Fui crescendo e só ouvia “Século vinte”

Agora só se fala em século vinte um...

Quem sabe eu tenho 300 anos
E não estou sabendo...

O Tempo...

O Tempo...

Hoje o tempo continua seco
Já fiz a colheita do café
Torcia pra não chover
Chuva estraga a bebida

Acho que minha torcida
Foi forte demais
Não era para durar tanto
A torcida é assim:

Não pode trocar de lado...
Ano que vem
Não vou torcer mais
Vou ficar neutro

A seca não é meu time favorito...

A Jangada

A Jangada...

Não sabia que a jangada era assim
Tosca, rude, feita quase de troncos
Parece pesada, levada ao mar nos roletes
Entra na água, vai deslizando...

Tão leve que fica, que um ventinho
Um leve ventinho leva...
Lá vai a jangada que eu pensei fosse pesada
O jangadeiro equilibra parecendo dançar

Vento, jangada, jangadeiro e o mar

Dá vontade de pintar...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O grito sem eco

O grito sem eco

Eu moro aqui
Todo dia gritava
O eco respondia
Na montanha...

Agora as máquinas vieram
Levaram o minério
A montanha minguou
A poeira chegou

O eco acabou...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O carnaval...

Ontem, minha mãe me levou para brincar carnaval
Pegamos o bonde, fechado, daqueles modernos
Lá no desvio que tem perto da padaria Excelcior
Eu tinha um balão amarelo
Um saco de confete
Um rolo de serpentina
O salão do Clube Belo Horizonte estava encerado
Eu escorregava. Bastava dar uma corridinha e parar
Deslizava nos confetes com uma fantasia
Minha mãe numa cadeira, conversava
Brinquei tanto, suava, estava vermelho mesmo!
Tinha orquestra e salão cheio
Cheiro de perfume
Cheiro de alegria...

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A teoria da relatividade de Einstein e o caipira...

O sol está se pondo atrás da serra!
"Oia sô, que beleza! Pena que vai escondê!
Vá a cavalo na serra e você verá de novo!...
Uê é mesmo, daqui eu vejo de novo o sol se pondo!!!
Vá atrás da outra serra a cavalo que você continuará vendo!
É mesmo, tô veno ele ainda é só corrê atrais dele!!!
Pois é, você corre atrás, que ele nunca vai se por!
É assim: Se a gente correr atrás, o tempo para!
Quer dizer que se eu andar atrais do sol o tempo para?
E lógico, quando você" anda" o tempo "para"
Quando você para, o tempo" anda"!
É relativo!!!
Uê, num precisava um cientista genial descobri isso não uê!
Qualquer um de nóis descobria isso!
É mas ele descobriu primeiro! É gênio então!
É, próxima vez, vou pensa numas coisa assim!!!

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Moeda com "chip"

Moeda com “chip”

O dinheiro do governo
Tem que ser controlado
Desde a saída do banco
Até onde é destinado

Pra controlar o seu caminho
Um chip tem que ser colocado
Se comprovar o ato honesto
Basta ser desativado

Esta idéia sempre foi minha
Prá acabar o desonesto desvio
As contas públicas sob controle
E pro governo um grande alívio

Quem for contra esta idéia
Mal intencionado deve estar
Porque não quer que localize
Futuro desvio que iria dar...

Esta medida vai ficar cara...
Mas acaba com o roubo, esta mania
Na cueca o dinheiro apita...

Ficando livre da má companhia...






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quinta-feira, 30 de junho de 2011

O filme de amor...

Minha irmã quando ia ao cinema,
Sempre me levava como companhia
Eu detestava os filmes que ela gostava
Filme de amor, uma falação do começo ao fim...

Eram tão ruins que decidi não acompanha'- la mais
Um dia, ela insistiu tanto!
Disse que o filme era bom
Que acreditei nela

Cinema Glória, lotado
O filme devia ser bom
Ela chamou até o baleiro
Comprou balas

O filme começa; é a mesma falação!
O tempo todo, a mesma coisa
Quase não agüentava mais
Então o filme termina...

Com um beijo

A Tarefa...

Quando o João Antônio me convidou para ver o serviço
Não pensei duas vezes:
Preparei a matula!
De manhã cedinho, já estava montado na égua arreada!

Andei pelo caminho do jequitibá, até chegar lá
O café do palmito, só mesmo tarefa pra dar jeito
Tinha mato até na cintura!
Cem pés de tarefa estavam de bom tamanho

A turma suava por entre lobeiras e braquiárias
Num pique só, iam espalhando o perfume do mato
Só parando, pra acender o cigarro de palha, que teimava apagar.
Onze horas, tarefa terminada.

No braseiro, as marmitas enfileiradas, juntei a minha
Assentados à sombra da castanheira
Eu via a mina minar água serena
Numa folha de inhame apanhei pra beber

Água dançava pra lá e pra cá
Equilibrava pra não cair e bebia
Só aí que notei:
As gotas d’água pareciam prata no fundo verde da folha!

terça-feira, 28 de junho de 2011

"Póe água na luz" ...

"Põe água na luz..."

A tarde já ia embora, na fazenda "Soledade"
Primeira noite que iria passar la'
Namorava a minha futura esposa.
Fomos no final do rego d´a'gua verificar o dí'namo

A correia estava bamba !
Meu cunhado entrou no fosso, viu a ponta da cetilha
Regulou a boca de saïda d' a'gua
Trocou o carvãozinho...

Correia esticada, carvão trocado,
Fomos na represa soltar a a'gua
A luz foi chegando aos poucos...
Clareou de vez !

Acendeu o ra'dio que chiava
Chiava mais do que falava
Era assim, toda noite na roça
Äs vezes, a gente, distrai'dos lá em baixo, ouvia a sogra gritar:

Põe 'agua na luz!..


Cetilha: boca que regula a sa'ida d`agua ...e toca rodas horizontais...

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

A visita

A visita

O Amilcar, meu tio
Tinha um carro antigo, Sinca 8
Quando nos visitava
Deixava o carro na rua

Meus pais conversavam no alpendre
Almoçava, e passava à tarde...
Na hora de ir embora
Ligava o carro, tinha esfriado...

A bateria não girava o motor
Tentava ate' não dar nada
A gente descia
Todo mundo empurrava o carro

Com uns arrancos ele pegava
Ia embora, abanando as mãos
Sempre voltava, era a mesma coisa...

Mas a gente gostava de receber sua visita!

sábado, 5 de março de 2011

Aldo Borges Brasil...

Aldo Brasil

Nome do meu amigo lá do Santo Antônio
Meu irmão trabalhava no Banco do Brasil
Mas o Aldo me convidou pro concurso do Banco
Eu nem sabia que haveria uma seleção...

Também vivia no mundo da lua...
O tempo passando e eu só filosofando
Por meu irmão eu seria um técnico eletrônico
Nem me informou que haveria um concurso

Fomos pra Valadares, fazer a inscrição
Dia vinte de junho de 1961...
Lembro muito bem da data por que
Se tivesse chegado no dia 21, não seria aceito

O limite de idade era até 23 anos...
E no dia 21 eu faria 24 anos...
O Aldo além de meu amigo era adivinho
Porque me levou pra fazer inscrição

No último dia possível...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A mulher da 5a Avenida...

Passeando em Nova York
Não sabia que as mulheres eram tão bonitas
E principal: distintas
Tem muita classe,até para passear...

Usando um lenço na cabeça
De tenis, andando pelo Central Park
Olham discretamente, deixando um ar misterioso
Olha que sou casado, mas não desligado...

Tenho crítica e estou preocupado...
Não por mim, mas por esta geração
A postura, a classe deve ser inerente a mulher
Quando perder isto, perde tudo.

Não estou nem aí, mas um conselho dou:
Mirem-se nas mulheres de Nova York
Deem um passeio pela 5a avenida
Vale a pena passar por lá...

Deixar de ser cara de "gatinha"
Ter uma postura feminina...
Andar de cabeça erquida
Valoriza muito bem a mulher...

Voltar a era do baton, do perfume frances
Não vou ao extremo de usar chapéu...
Mas que dá saudade...

Ah! Isto dá...

Os engraxates da Praça Sete...

Os engraxates da Praça Sete...

Em volta do pirulito da Praça sete...
Ficavam os engraxates, um debaixo de cada árvore
Via sempre um assentado, engraxando os sapatos
Mas eram muitos que engraxavam...

Barro ou poeira que existia de sobra...
Poderia ser também porque todos gostavam deles limpos
Passava escova, tinta depois graxa...
Lustravam até dar um brilho bonito...

Eu ficava olhando, enquanto meu pai conversava
Saia um, entrava outro, começando tudo de novo
Meu pai demorava tanto nas conversas
Que eu até aprendi engraxar sapatos...

No outro dia, com caixa e escova na mão,
Estava na esquina da Rua Esmeraldas...
Bem pertinho do ponto do bonde, gritando:

-VAI GRAXA, FREGUES…

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Esperando a chuva...

Acabou a colheita...
O tempo continua seco
O cafezal sente a falta da chuva
Não abre a florada!

Olho para o horizonte
Azul bonito, mas sem nuvens...
Uma hora, não quero a chuva
Outra hora eu quero

Deve estar acontecendo algo
A natureza antes não falhava
A gente não esperava, vinha...
Mas a florada tem que abrir

A noite, não quero estrelas
De dia não quero o azul
Torço pra ver o pretume no céu!

A terra já está preparada...

Esperando a chuva...





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