sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A última carta...

A última carta...

Estive pensando
Naquela carta que escrevi
Foi há muito tempo
Nem sei se ela recebeu

Na época tinha mudado de cidade
Trabalhava em outro lugar
Por isso não recebi resposta
Hoje seria até estranho eu escrever uma carta

Ninguém escreve mais cartas
Somente se recebe propaganda e contas
Numa greve dos Correios
Os Bancos são os mais prejudicados...

O amor não sente a paralisação...

O romantismo não transita mais pelos Correios...



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Séculos XIX, XX e século XXI...

Séculos XIX, XX e século XXI...

Quando era pequeno...
Meu pai, meu avô e minha avó
Falavam do século dezenove...
Fui crescendo e só ouvia “Século vinte”

Agora só se fala em século vinte um...

Quem sabe eu tenho 300 anos
E não estou sabendo...

O Tempo...

O Tempo...

Hoje o tempo continua seco
Já fiz a colheita do café
Torcia pra não chover
Chuva estraga a bebida

Acho que minha torcida
Foi forte demais
Não era para durar tanto
A torcida é assim:

Não pode trocar de lado...
Ano que vem
Não vou torcer mais
Vou ficar neutro

A seca não é meu time favorito...

A Jangada

A Jangada...

Não sabia que a jangada era assim
Tosca, rude, feita quase de troncos
Parece pesada, levada ao mar nos roletes
Entra na água, vai deslizando...

Tão leve que fica, que um ventinho
Um leve ventinho leva...
Lá vai a jangada que eu pensei fosse pesada
O jangadeiro equilibra parecendo dançar

Vento, jangada, jangadeiro e o mar

Dá vontade de pintar...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O grito sem eco

O grito sem eco

Eu moro aqui
Todo dia gritava
O eco respondia
Na montanha...

Agora as máquinas vieram
Levaram o minério
A montanha minguou
A poeira chegou

O eco acabou...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O carnaval...




Ontem, minha mãe me levou para brincar carnaval

Pegamos o bonde, fechado, daqueles modernos

Lá no desvio que tem perto da padaria Excelcior

Eu tinha um balão amarelo

Um saco de confete

Um rolo de serpentina


O salão do Clube Belo Horizonte estava encerado

Eu escorregava. Bastava dar uma corridinha e parar

Deslizava nos confetes com uma fantasia


Minha mãe numa cadeira, conversava

Brinquei tanto, suava, estava vermelho mesmo!

Tinha orquestra e salão cheio


Cheiro de perfume

Cheiro de alegria...


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Os amigos...


Os amigos...

Ontem andando na rua
Vi vários amigos...
Mas eram mais novos, pensava:
Estão com a aparência velha...

Aquele ali, como está acabado!
Nossa! O Fábio... Não é possível...
Passei a mão na cabeça sem cabelos...
Fui para casa...

Tomei banho, fiz a barba
Achei que estava ótimo
A aparência... É lógico!
Coitados dos meus amigos...

Envelheceram depressa.....

Superlotação...

Superlotação...

Quando peguei o bonde
Não estava lotado
Com o tempo não sei por que ficou apertado
Continua enchendo

Não sei como vai acabar
A lotação tá cheia
Roda, roda e não chega a lugar nenhum
Não para pro povo descer

Eu sou testemunha
Enquanto viajava
Os lugares triplicaram e foram ocupados
Só tem uma lotação

Já tá levando gente no teto...


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A teoria da relatividade de Einstein e o caipira...



O sol está se pondo atrás da serra!

"Oia sô, que beleza! Pena que vai escondê!

Vá a cavalo na serra e você vera' de novo!...

Uê e' mesmo, daqui' eu vejo de novo o sol se pondo!!!

Vá atrás da outra serra a cavalo que você continuara' vendo!

E' mesmo, tô veno ele ainda e' só corrê atrais dele!!!

Pois e', você corre atrás, que ele nunca vai se por!
E' assim: Se a gente correr atrás, o tempo para!

Quer dizer que se eu andar atrais do sol o tempo para?

E lógico, quando você" anda" o tempo "para"
Quando você para, o tempo" anda"!
E' relativo!!!

Uê, num precisava um cientista genial descobri isso não uê!
Qual que um de nóis descobria isso!

E', mas ele descobriu primeiro! E' gênio então!

E', próxima vez, vou pensa numas coisa assim!!!


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Moeda com "chip"

Moeda com “chip”

O dinheiro do governo
Tem que ser controlado
Desde a saída do banco
Até onde é destinado

Pra controlar o seu caminho
Um chip tem que ser colocado
Se comprovar o ato honesto
Basta ser desativado

Esta idéia sempre foi minha
Prá acabar o desonesto desvio
As contas públicas sob controle
E pro governo um grande alívio

Quem for contra esta idéia
Mal intencionado deve estar
Porque não quer que localize
Futuro desvio que iria dar...

Esta medida vai ficar cara...
Mas acaba com o roubo, esta mania
Na cueca o dinheiro apita...

Ficando livre da má companhia...






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quinta-feira, 30 de junho de 2011

O filme de amor...

Minha irmã quando ia ao cinema,
Sempre me levava como companhia
Eu detestava os filmes que ela gostava
Filme de amor, uma falação do começo ao fim...

Eram tão ruins que decidi não acompanha'- la mais
Um dia, ela insistiu tanto!
Disse que o filme era bom
Que acreditei nela

Cinema Glória, lotado
O filme devia ser bom
Ela chamou até o baleiro
Comprou balas

O filme começa; é a mesma falação!
O tempo todo, a mesma coisa
Quase não agüentava mais
Então o filme termina...

Com um beijo

A Tarefa...

Quando o João Antônio me convidou para ver o serviço
Não pensei duas vezes:
Preparei a matula!
De manhã cedinho, já estava montado na égua arreada!

Andei pelo caminho do jequitibá, até chegar lá
O café do palmito, só mesmo tarefa pra dar jeito
Tinha mato até na cintura!
Cem pés de tarefa estavam de bom tamanho

A turma suava por entre lobeiras e braquiárias
Num pique só, iam espalhando o perfume do mato
Só parando, pra acender o cigarro de palha, que teimava apagar.
Onze horas, tarefa terminada.

No braseiro, as marmitas enfileiradas, juntei a minha
Assentados à sombra da castanheira
Eu via a mina minar água serena
Numa folha de inhame apanhei pra beber

Água dançava pra lá e pra cá
Equilibrava pra não cair e bebia
Só aí que notei:
As gotas d’água pareciam prata no fundo verde da folha!

terça-feira, 28 de junho de 2011

"Póe água na luz" ...

"Põe água na luz..."

A tarde já ia embora, na fazenda "Soledade"
Primeira noite que iria passar la'
Namorava a minha futura esposa.
Fomos no final do rego d´a'gua verificar o dí'namo

A correia estava bamba !
Meu cunhado entrou no fosso, viu a ponta da cetilha
Regulou a boca de saïda d' a'gua
Trocou o carvãozinho...

Correia esticada, carvão trocado,
Fomos na represa soltar a a'gua
A luz foi chegando aos poucos...
Clareou de vez !

Acendeu o ra'dio que chiava
Chiava mais do que falava
Era assim, toda noite na roça
Äs vezes, a gente, distrai'dos lá em baixo, ouvia a sogra gritar:

Põe 'agua na luz!..


Cetilha: boca que regula a sa'ida d`agua ...e toca rodas horizontais...

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

A visita

A visita

O Amilcar, meu tio
Tinha um carro antigo, Sinca 8
Quando nos visitava
Deixava o carro na rua

Meus pais conversavam no alpendre
Almoçava, e passava à tarde...
Na hora de ir embora
Ligava o carro, tinha esfriado...

A bateria não girava o motor
Tentava ate' não dar nada
A gente descia
Todo mundo empurrava o carro

Com uns arrancos ele pegava
Ia embora, abanando as mãos
Sempre voltava, era a mesma coisa...

Mas a gente gostava de receber sua visita!

sábado, 5 de março de 2011

Aldo Borges Brasil...

Aldo Brasil

Nome do meu amigo lá do Santo Antônio
Meu irmão trabalhava no Banco do Brasil
Mas o Aldo me convidou pro concurso do Banco
Eu nem sabia que haveria uma seleção...

Também vivia no mundo da lua...
O tempo passando e eu só filosofando
Por meu irmão eu seria um técnico eletrônico
Nem me informou que haveria um concurso

Fomos pra Valadares, fazer a inscrição
Dia vinte de junho de 1961...
Lembro muito bem da data por que
Se tivesse chegado no dia 21, não seria aceito

O limite de idade era até 23 anos...
E no dia 21 eu faria 24 anos...
O Aldo além de meu amigo era adivinho
Porque me levou pra fazer inscrição

No último dia possível...

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A mulher da 5a Avenida...

Passeando em Nova Yorque...
Não sabia que as mulheres eram tão bonitas
E principal: distintas
Tem muita classe,até para passear...

Usando um lenço na cabeça...
De tenis, andando pelo Central Park
Olham discretamente, deixando um ar misterioso
Olha que sou casado, mas não desligado...

Tenho crítica e estou preocupado...
Não por mim, mas por esta geração
A postura, a classe deve ser inerente a mulher
Quando perder isto, perde tudo.

Não estou nem aí, mas um conselho dou:
Mirem-se nas mulheres de Nova Yorque
Deem um passeio pela 5a avenida
Vale a pena passar por lá...

Deixar de ser cara de "gatinha"
Ter uma postura feminina...
Andar de cabeça erquida
Valoriza muito bem a mulher...

Voltar a era do baton, do perfume frances
Não vou ao extremo de usar chapéu...
Mas que dá saudade...

Ah! Isto dá...

Os engraxates da Praça Sete...

Os engraxates da Praça Sete...

Em volta do pirulito da Praça sete...
Ficavam os engraxates, um debaixo de cada árvore
Via sempre um assentado, engraxando os sapatos
Mas eram muitos que engraxavam...

Barro ou poeira que existia de sobra...
Poderia ser também porque todos gostavam deles limpos
Passava escova, tinta depois graxa...
Lustravam até dar um brilho bonito...

Eu ficava olhando, enquanto meu pai conversava
Saia um, entrava outro, começando tudo de novo
Meu pai demorava tanto nas conversas
Que eu até aprendi engraxar sapatos...

No outro dia, com caixa e escova na mão,
Estava na esquina da Rua Esmeraldas...
Bem pertinho do ponto do bonde, gritando:

-VAI GRAXA, FREGUES…

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Esperando a chuva...

Acabou a colheita...
O tempo continua seco
O cafezal sente a falta da chuva
Não abre a florada!

Olho para o horizonte
Azul bonito, mas sem nuvens...
Uma hora, não quero a chuva
Outra hora eu quero

Deve estar acontecendo algo
A natureza antes não falhava
A gente não esperava, vinha...
Mas a florada tem que abrir

A noite, não quero estrelas
De dia não quero o azul
Torço pra ver o pretume no céu!

A terra já está preparada...

Esperando a chuva...





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domingo, 18 de julho de 2010

Os dias Santos...

Os dias Santos

Acho que estava de férias na fazenda de minha sogra. Porque tinha tempo de ajudar nos trabalhos diários.

Ela, viúva, batalhava sozinha, com cinco filhos pra criar, menos uma, que agora era minha esposa...
Mas eu estava ali sem fazer nada, não custava me prontificar, oferecendo meus préstimos, pois fiquei sabendo, numa daquelas rodadas de cerveja e pinga no Sapecado, que tinha uma comunidade no Cedro, ali perto, que se ofereciam para capinar aqui e acolá.

Naquela manhã de domingo acordei cedo, peguei meu jipe e rumei para o Cedro, que ficava a umas boas aceleradas do meu carango...
O lugar era espalhado, quer dizer, via-se um campo de futebol, com o pessoal jogando, e umas casas em frente, destacando-se a do designado chefe daquela comunidade...
Não me lembro o nome de quem comandava os moradores do lugar, mas era um velhinho de fala mansa, educado, que me chamou para entrar...

Sua sala parecia uma sucursal do Vaticano, tinha santo espalhado por todas as paredes e entre olhar para eles e para aquele senhor, disse-lhe da razão de minha visita:

Queria marcar com uma turma, para trabalhar numas tarefas no Café de minha sogra...

-Ah! Dona Sílvia, muié do Tião Rodrigue, conheço, trabaiadora, ficô viúva cedinho, criô a famia toda, muié de valor...
-Mas cê queria o quê mess..?

-Queria que o senhor arranjasse uma turma pra levar pra fazenda de minha sogra. O mato tá dando na cintura...

-Ê, Vitinho, vou vê procê o que posso fazê...

Segunda num vai dá, purque é dia de São Benedito...
Terça nóis guarda dia santificado, mas na quarta feira nóis imenda porque quinta é dia de Santa Emengarda...

Vitinho, só na segunda que vem messs...

Combinado! Então, espero a turma, doze né? Lá no bambuzal do Zé Reis, seis e meia da manhã, né?

-Combinado! Cê aceita um licorzinho?

Depois do licor, rumei todo alegre pro Sapecado, encontrar com o Vantuir, cuja venda fica lotada lá pro meio dia.

O Vantuir é quem fornece mantimentos para os trabalhadores da fazenda, depois de um mês, minha sogra acerta as “ordens” que ela dá nos despachos de sábado...

Às vezes ouvia ela dizendo que as contas não estavam batendo...

Entre uma cerveja quente e uma pinga, me despedi e fui dar a boa nova :
-A turma já está combinada lá no Cedro, será segunda que vem...Doze enxadas...Falei todo entusiasmado.

Ah! Tá bom...

Achei meio estranho minha sogra não compartilhar da minha alegria, mas que fazer, pensei...

Aquela semana demorou passar, não sei se pela aflição de vir logo executada minha obrigação...
Mas, segunda feira estava aí, eu no bambuzal à espera, pois eram seis e meia e minha parte cumprida do combinado...

Sete horas, nada! Oito horas, nada! Volto pra roça sem saber o porquê do desencontro...

Da fazenda mesmo, num impulso de revolta pelo “bolo” tomado, resolvi ir até aquela comunidade, apurar o que ocorrera…
Lá chegando, a turma jogando futebol, numa animação sem tamanho, como se nada tivesse acontecido...

Observei incrédulo: Esta é a turma que ia capinar pra mim? Achei até um pouco de graça.
Quase me esquecendo do que vinha fazer ali...

O velhinho, veio ao meu encontro na porta de sua sala, convidando para entrar, muito amável, se desculpando, pedindo para assentar...
Traz um café pro Vitinho aqui muié…

-Ce me discurpe Vitinho, mas esquici que nóis guarda o dia de São Leopoldo e caiu justinho na segunda feira, dia do combinado...

Disse aquilo, enquanto eu olhava as parelhas de bois vermelhos do Joaquim Boaventura, com seu carro de boi cantando pelo trilho da estrada, vestido com seu terno de linho, bem arrumado, tocando os bois,com vara na mão e devidamente descalço:

-JUSTA “Tranquilo”!, ARRUMA “Pião”! VAI, VAI !!!

- Ô juntas danadas de bonita, estas do Boaventura, hein Vitinho?